Resenha: Não conte para a mamãe - Toni Maguire

Oi, gente!
Hoje resolvi fazer uma resenha sobre um livro que li. Durante a resenha, posso dar alguns spoilers, mas será importante para o entendimento.




Título: Não conte para a mamãe - Memórias de uma infância perdida
Editora: Bertrand Brasil
Autora: Toni Maguire

Sinopse:   A frase que dá título ao livro de Toni Maguire, Não conte para a mamãe, poderia ser uma pacto ingênuo entre dois irmãos ou uma brincadeira entre crianças. Infelizmente, não é o caso. Na verdade, é a ameaça sofrida pela autora durante os quase dez anos em que foi violentada pelo próprio pai. Quando aconteceu pela primeira vez, a pequena e inocente Antoniette tinha apenas seis anos. Apesar da tenra idade, tudo ficou gravado em sua memória, o tempo nada dissipou: os detalhes, os sentimentos, a dor. Foi a primeira de muitas, incontáveis vezes. Não conte para a mamãe, de Toni Maguire, desvela a comovente história de uma infância idílica que mascarava uma terrível verdade.
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É difícil saber como começar a falar desse livro.
É um assunto muito polêmico, angustiante e ele não demora a aparecer - lá pela página 30 já acontece o primeiro relato de abuso.
Precisamos primeiro nos ambientar lendo esse livro, pois apesar de ser um assunto ainda (infelizmente) bastante atual, o abuso de Toni acontece na década de 50, quando as pessoas ainda não eram tão preparadas para tal assunto, não havendo assim Conselho Tutelar, nem professores capacitados para perceber os pequenos sinais (não tão pequenos) que nós mesmos conseguimos perceber no decorrer do livro.
Um outro fato importante, que algumas pessoas demoram a perceber, é que a autora do livro foi quem recebeu todos os abusos. Ou seja, essa é uma história real.
Nesse livro encontramos três personalidades: o pai abusivo, a mãe permissiva e a filha sofredora.

A história começa com Toni chegando ao hospital onde sua mãe Ruth está internada nos últimos dias de vida. Ela é a única pessoa que está acompanhando a mãe. Seu pai aparece para visitas nada frequentes, inclusive no dia da morte de Ruth, ele sequer aparece para se despedir - prefere ficar na esbórnia com os amigos.
É no hospital que Toni começa a ter de volta as lembranças dos abusos e negligências que sofreu durante praticamente 10 anos, e que na fase adulta da vida havia bloqueado.
Assim, descobrimos que Antoniette - a Toni - foi uma criança feliz até os seus seis anos, época em que vivia apenas com a mãe e a avó inglesa na Inglaterra, tendo visitas esporádicas do pai que servia ao exército e, portanto, não convivia com elas. Quando o seu pai recebe a dispensa e volta a morar com elas, conseguimos perceber aos poucos o quanto essa mãe é apaixonada por ele e dedica toda sua atenção para tal.
Eles se mudam para Irlanda do Norte para morar próximo aos familiares deles. A partir desse momento percebemos que o pai é uma pessoa inconstante com diversas mudanças de humor, sendo descrito por ela como pai bondoso e pai malvado. A princípio ele desconta sua raiva colocando-a de castigo por motivos bobos e algumas vezes até batendo nela. Diversas vezes durante o livro ele faz algumas armações para que a mãe fique brava com a filha, fragilizando ainda mais a pequena Toni.
Durante o livro todo percebemos a necessidade que a pequena Toni tem em agradar e ser amada por sua mãe. Aí que o abuso piora todo o psicológico da pequena. Quando o pai a beija pela primeira vez e pede para que não conte para a mamãe, ele aproveita para afirmar que se contar a mãe não vai mais gostar dela e as outras pessoas também não. Mesmo diante dessa "ameaça", Toni conta para sua mãe que apenas a olha e diz para nunca mais tocar nesse assunto.
Logo começam os passeios de camionete com o pai e ali os abusos passam a ser sexuais. É terrível toda vez ler os relatos e lembrar que ela era uma CRIANÇA! A mãe, em momento algum questiona os passeios.
À partir desse momento começamos a perceber a mudança da mãe com a filha. Toni é tirada da escola que amava e enviada para uma escola que fica à 6km de onde mora e que precisa ir a pé todos os dias. A mãe para de cuidar de sua filha: roupas, cabelos... A criança parece não ter os pais, diante de tanto desmazelo.
Para nós leitores é bastante perceptível o marco entre antes e depois dos abusos.
A mãe vive em um mundo de fantasias, onde sua família é perfeita e para isso parece se manter alheia aos abusos da filha. Aliás, fica claro que ela disputa o amor do marido com a filha à partir do momento em que ela negligência os cuidados com a filha, para que o marido não tenha mais interesse por ela. Ela parece simplesmente esquecer que são mãe e filha.
Os abusos de Toni só param depois que ela descobre que está grávida e sua mãe providencia um aborto para ela. O aborto acontece, mas quando já está em casa começa a ter muito sangramento e ao chamar a ambulância a mãe podendo optar entre dois hospitais, escolhe o hospital mais distante, mesmo sabendo que a filha pode morrer devido ao sangramento.
À partir daí, resumidamente, o pai é denunciado por uma amiga de Toni e é condenado à prisão. Mas o inferno de Toni ainda continua ao perceber que o pai tinha razão sobre ninguém mais gostar dela. Todos se voltam contra a menina, agora adolescente, é expulsa da escola, deixando para trás seu sonho de fazer faculdade. Ela não é tratada como vítima, pelo contrário, as pessoas afirmam que ela queria, que compactuava pois não ficaria levando essa vida durante tanto tempo. Em nenhum momento as pessoas questionaram a atitude dos pais.
Li esse livro em três dias. A leitura é bastante fluída, mas atribuo a rápida leitura pelo fato de ele ser tão angustiante que não queria ficar presa a história por muito mais tempo.
Me fez pensar e, muito, não apenas nos casos de pedofilia, mas nos casos de abuso em geral, pois apesar de ser uma história acontecida na década de 50 ela ainda é muito presente nos dias atuais. 
Precisamos aprender cada dia mais a nos colocar no lugar da vítima e ajudá-la de qualquer forma. 






Sobre este livro: ♥ 

Até breve,
Fran Scandolara

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